segunda-feira, 21 de novembro de 2016

O Caneiro da Baixa

21/11/2016

Tenho ouvido vários relatos acerca do caneiro que é responsável pelas inundações da Baixa de Albufeira. Uns dizem que foi obstruído, com as obras da Polis, outros criticam o uso de condutas ou manilhas. Arrisco-me a pensar que nem uns nem outros têm razão.

Apesar de achar que o Programa Polis descaracterizou a cidade, nalguns aspectos, não acredito que tenha deixado os canos entupidos. Depois da cheia é que a lama das limpezas, em período de tempo seco, terá se solidificado. Por outro lado, as manilhas redondas concentram o fluxo que arrasta detritos.

Por mais voltas que se dê não se pode ignorar que o problema está na cota, cuja correnteza de escoamento vai ficando cada vez mais limitada, devido à subida do nível do mar. Aliás, o assoreamento inerente já obrigou a retirar toneladas de areia do ramal do Pontão tal como foi dito, há dias, publicamente.

O problema da baixa deve ser encarado, com realismo, tendo em conta a obstinação do mar. As bombas podem aliviar algumas inundações, numa primeira fase, mas duvido que produzam efeito no futuro.


Do meu ponto de vista, o plano de drenagem que inclui um túnel novo, não é sustentável por estar desajustado das causas e dos objectivos. O tempo acabará por deslindar as teimas nesta matéria.  

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Albufeira Carece de Ser Interpretada

17/11/2016

Na sequência do evento trágico do ano passado, está a ser elaborado um plano de drenagem, que envolve esforço financeiro elevado, e é estranho que os albufeirenses não se mostrem interessados em debater o assunto.

Neste contexto, Albufeira tem dois problemas distintos que podem se inter-relacionar em situações de catástrofe.

Numa lógica de prioridades diria que o primeiro problema é as inundações da baixa. Nas condições actuais, duas horas de chuva intensa no perímetro da cidade é quanto basta, para o caos se instalar, e a tendência é para piorar uma vez que o nível do mar não pára de subir. É uma questão de tempo, mas a água salgada acabará por entrar e duvido que a drenagem da baixa possa ser regulada com bombas elevatórias.      

O segundo problema é as imprevisíveis cheias da Ribeira. Já em 1948, 1949 e 1956, terá ficado comprovado que o túnel existente não se mostrava eficaz em situações extremas. Todavia, a insuficiência seria superada com a barreira do eixo viário, se a obra fosse executada para reter fluxos anormais. E, ainda, com a limpeza da ribeira, retenções monitorizadas a montante, e desvios colaterais para haver infiltração no solo do bem precioso que tantas vezes escasseia. Julgo que a cheia de 01 de Novembro de 2015 não teria acontecido, se este quadro tivesse sido cumprido e, nesta base, discordo da opção de um túnel novo.

Quase sempre, culpa-se o poder político pelos desastres. Mas, normalmente, as causas provêm de más avaliações técnicas.

Como cidadão atento, com Albufeira no Coração, não tenho dúvidas que o Executivo Camarário está interessado em resolver os problemas. Ainda assim, receio que o enfoque se centre no desafogo financeiro e que a baixa da cidade não esteja a ser tratada, com o pragmatismo que devia, para evitar as surpresas do mar, no futuro.    

Albufeira carece de ser interpretada. Foram executadas obras desconexas que precisam de reabilitação, para a cidade melhorar as infra-estruturas e tirar partido, nomeadamente, das excelentes potencialidades para o turismo.


É de realçar o conjunto de obras de manutenção e arranjos que estão em curso. Contudo, atendendo ao bom momento financeiro, e à possibilidade de candidatar projectos aos Fundos Estruturais, renovo a minha sugestão à Autarquia, para escutar os conselhos e fazer o seu trabalho de casa. A sua demora em comprovar a existência de um plano estratégico, coordenado e equilibrado, para o investimento público que é absolutamente necessário, compromete a projecção de Albufeira, como marca turística incontestável, e limita o desenvolvimento do concelho que precisa de diversificar a base da sua economia.

sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Dívida Pública

11/11/2016

Os líderes da esquerda radical evocam o esforço dos juros da dívida, mas é preciso acrescentar que a economia não cresce e que o encolhimento do défice é conseguido à custa de carga fiscal e empobrecimento.

Apesar da controvérsia das sanções, Portugal saiu do procedimento de défice excessivo em 2015. É justo referir que em 2011 o défice estava nos 12% do PIB e em 2015 fixou-se nos 2,98%, com o investimento e a economia a crescerem.

A esquerda censura os juros, mas o que a geringonça sabe fazer é contrair mais dívida. Em 9 meses, aumentou mais do dobro que durante 2015.   

Não é por acaso que as Agências de Rating, à excepção da DBRS, mantêm a notação de lixo. E, em função do risco inerente às políticas implementadas por este governo, cujos objectivos têm sido, normalmente, desacreditados e revistos em baixa, as altas taxas de juro são ultrapassadas, apenas, pela Grécia.

Depois falam de renegociação. Mas o governo anterior fez roll-overs de dívida e renegociou maturidades e taxas de juro. E, ainda, antecipou pagamentos ao FMI, enquanto a geringonça satisfaz a clientela e difere responsabilidades.

Considerando o nível do endividamento e a necessidade de continuar a ir aos mercados não é oportuno reclamar. O governo e os seus parceiros entraram na dança das facilidades, quando deviam ter aproveitado a herança, usando os recursos com mais racionalidade.   


Oxalá o BCE não suba as taxas de juro ou, no limite, não feche a porta aos títulos da dívida que Portugal vai ter de continuar a emitir.

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

O insólito Aconteceu nos Estados Unidos.

09/11/2016

Hoje, enquanto Hillary é consolada por Bill e prepara o discurso prometido, Donald faz a festa da vitória.

TRUMP, Presidente, é a demonstração do descrédito da classe política. A Europa também sente o mesmo problema e o Brexit, do Reino Unido, é disso um bom exemplo.

A globalização e os acordos do comércio internacional alteraram as regras e criaram mais complicações do que benefícios. Deslocalizações, desemprego em massa, e desconforto social. Apenas os países asiáticos e o leste europeu, com populações mal remuneradas, beneficiaram.


A China dá cartas na indústria, no comércio e exporta para todo o lado. Faz aquisições das dívidas de outros países e, se não se desenhar uma nova ordem, controla o mundo dentro de poucos anos.    

sábado, 5 de novembro de 2016

Plano de Drenagem de Albufeira

05/11/2016


Há quase cem anos atrás, numa luta contra o mar, foi obstruída a Foz da Ribeira de Albufeira e os fluxos passaram a ser encaminhados pelo túnel existente, perfurado nessa altura, também, para aliviar o desemprego que se verificava.

A batalha braçal foi ganha e o mar acobardou-se sem reclamar direitos. Contudo, sempre que o caudal da ribeira ultrapassou a capacidade do túnel, houve cheias na baixa da cidade.

Entretanto, as condições mudaram. O aquecimento global traduz a subida do nível do mar e o clima parece ser menos influenciado pelo anti-ciclone dos Açores. A frequência de massas de ar com maior densidade atmosférica torna-se propícia a situações de precipitação, localizadas, com grande intensidade.

Naturalmente consciente da realidade do clima e dos problemas que advêm da cota muito crítica da baixa, a Autarquia mandou elaborar um plano geral de drenagem.

Não é fácil de digerir a informação técnica que já foi transmitida, e, apesar do plano ainda estar numa fase de estudos, percebe-se que a opção é um túnel novo com 5 metros de diâmetro da Ribeira para o Mar.

Acredito que a infra-estrutura resolva o problema das imprevisíveis enxurradas da Ribeira, ainda assim, não deixa de ser legítimo questionar a eficácia do referido plano que implica num grande esforço financeiro.

Se considerarmos a lógica da cidade se ligar ao Porto de Abrigo/Marina, por frente de mar, percebe-se que era vantajoso orientar a descarga do túnel para o Pau da Bandeira, a nascente do Pontão. As distâncias são semelhantes. 

Independentemente das contingências da Ribeira, a nova realidade climática e a subida do nível do mar deixam antever o risco acrescido da baixa ficar de molho. O plano contempla sistemas de bombagem, mas em situações de chuvadas prolongadas, como se verificou o ano passado, duvido que seja possível evitar inundações, porventura, desastrosas se houver avarias.  


Sabendo que a água salgada já passou por ali, arrisco-me a pensar que o mar ainda pode vir a redesenhar a foz da ribeira com intenção invasora. Quer isto dizer que, mesmo que o plano de drenagem seja concluído e implementado, os problemas da baixa de Albufeira não ficam resolvidos. 

quarta-feira, 26 de outubro de 2016

O Risco da Baixa Ficar Submersa

26/10/2016

Está a fazer um ano que Albufeira viveu momentos difíceis com a intempérie que se abateu no concelho. Choveu, ininterruptamente e com intensidade, durante cerca de 12 horas. Apesar de invulgar, a mesma situação de calamidade pode repetir-se em qualquer altura no período das chuvas.

Nesta perspectiva, não é de mais voltar a aconselhável desvios colaterais e represas, a montante, para controlar os fluxos da Ribeira que deve estar limpa e desobstruída, antes das primeiras chuvas.

Há quem diga que a solução está a ser trabalhada e é eficaz. Outros falam num túnel novo, cujos estudos já estão em marcha. É estranho que, mormente esta hipótese explícita, altamente dispendiosa, ainda, não tenha sido colocada à discussão pública.

O risco da baixa ficar submersa não é, proeminentemente, por culpa da Ribeira ou insuficiência do túnel já existente. Na última ocorrência de há dias, a Ribeira não trazia água. Ainda assim, houve inundações e as consequências só não foram piores porque a maré estava vazia. Com base nestes dados, investir noutro túnel seria enterrar recursos para resolver coisa nenhuma.       

O nível do oceano está a subir e o ramal de descarga do pontão, sujeito a assoreamento, começa a ser uma via de retorno com a maré-alta. Por outro lado, as águas pluviais, nomeadamente, dos Cerros do Malpique e Alagoa que atingem a baixa, constituem um problema grave.

Não há muito a fazer, para além de rever o planeamento urbanístico e permeabilização de solos, dar atenção à limpeza das sarjetas e tubagens, e fazer eco dos alertas meteorológicos.

Esta realidade torna-se, cada vez, mais evidente e tem de ser encarada com seriedade, pelas entidades responsáveis. É elementar que os proprietários de prédios na baixa sejam devidamente elucidados, sobre os riscos, com vista a acautelar património.


Relacionado com esta matéria, aconselho a leitura de: “O Tempo Acabará por Pintar um Quadro Irreversível”, publicado em Out. de 2014. 

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Muita Massa e Pouca Obra.

24/10/2016

Diz-se por aí que o excedente de recursos financeiros do Município de Albufeira se deve às boas práticas de gestão. Não duvido da capacidade e da ambição do executivo camarário, mas, como observador atento e defensor da minha terra, parece-me ilegítima a falta de melhoramentos em tempo de abastança. É caso para dizer “muita massa e pouca obra”. 

A disponibilidade acumulada, indiscutivelmente, mais favorável do que outra posição de sinal contrário, também é o resultado da incapacidade organizacional que, por vezes, a Autarquia deixa transparecer. O mal vem de trás e não é a primeira vez que abordo o assunto. (Blogue Albufeira no Coração, Políticas Sectoriais – Área Administrativa e Serviços Técnicos, Março de 2005).

A credibilidade dos orçamentos e o trabalho dos Executivos, dependem da assistência administrativa e de assessores, hábeis a simular projecções e a analisar a evolução de dados. O prognóstico que conduziu o Município a ser resgatado, ao abrigo do PAEL, não se enquadra nestes pressupostos.

Considerando a robustez financeira e a possibilidade da Autarquia candidatar projectos aos Fundos da União Europeia, é confrangedor verificar a ausência de reivindicações, fundamentadas, que já deviam ter sido endereçadas às tutelas responsáveis pelo tipo de investimento público que Albufeira carece.


Não adianta exaltar a boa performance do turismo, sem analisar as contas de resultados das empresas. Apesar de tudo, ainda há margem para o concelho potenciar a competitividade, e melhorar o desempenho da sua economia, desde que a vontade política se conjugue nesse sentido.